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Benção ou Maldição??


 b ou M
O período de vestibular vem se aproximando e, com ele, a ansiedade pela incerteza da escolha toma conta dos estudantes do ensino médio.
É muito cruel desejarmos que aqueles jovens que, até agora, só precisavam se preocupar com as notas escolares e programar o rolê do fim de semana, de uma hora para outra, conheçam as profissões do mercado, identifiquem suas vocações e escolham o curso que desejam fazer.
A escolha da faculdade traz consigo o peso da satisfação dos pais. Afinal, ou eles sonham que os filhos consigam o que eles não conseguiram, porque não tiveram condições. Ou, eles querem que os filhos tenham muito sucesso na vida e façam jus ao valor que investiram pagando estudo particular.
Imagine que o adolescente escolheu um curso que, na verdade, não lhe agradou. Imaginem quanta pressão ele enfrentará entre decidir de para, tenta mudar de curso, ou continua naquele mesmo, afinal, é o que esperam dele.
Suponhamos que o pai seja advogado e a mãe seja engenheira. Por óbvio vão desejar que o filho siga uma carreira inspirada nessas áreas.
Naturalmente o filho, de fato, se inspirará na admiração que tem pelos pais e no desejo de agradá-los, escolhendo, então, um curso de direito, ou engenharia, ou arquitetura, por exemplo.
É aqui que a saga começa. Se for aprovado no vestibular e se identificar com o curso, a faculdade será uma benção. A formatura agradará a todos e o filho poderá contar com o apoio (ainda que meramente psicológico) dos pais para iniciar sua carreira.
Por outro lado, vamos considerar que o filho seja aprovado no vestibular e, ao iniciar o curso, perceba que não é esta a sua vocação.  Se ele puder contar com a compreensão dos pais e mudar de curso, maravilha!!
Mas, se esta não for uma opção, se os pais exigirem que ele termine o que começou, o que vai acontecer após a formatura??
A faculdade se tornará uma maldição. O recém formado buscará incessantemente uma colocação para a profissão que acabou de se formar. Certamente, sua personalidade o denunciará e ele enfrentará dificuldades em conseguir uma vaga.
Já falamos sobre isso em outro post, e sabemos que as empresas, hoje em dia, se preocupam mais com a cultura e a personalidade do candidato do que, propriamente com a sua formação.  Se ele se formou em algo com o qual não se identifica, isso pesará na hora da seleção para o trabalho.
Maaaas, digamos que ele consiga uma oportunidade para trabalhar na área. Será que ele estará feliz? Estará aberto a estudar cada vez mais para se desenvolver profissionalmente??
Se isso não acontecer, a faculdade se torna maldição. O cara lá querendo mudar de área e as pessoas dizendo: “Mas você estudou pra isso!” ou “Quanto tempo você perdeu pra querer abandonar tudo agora!” – Esses comentários soam como sentenças que condenam a pessoa a ser infeliz profissionalmente já que escolheu o curso errado.
Não, meu amigo, minha amiga! Não aceite a maldição.
Estudar, nunca será maldição. Será sempre um aprendizado a se somar no seu currículo, uma experiência a mais. Seja uma experiência de vida, seja uma experiência profissional.
Entenda que não trabalhar com o primeiro curso para o qual se formou não é um fracasso. É, apenas, uma sábia mudança de rota.
Se você fez um curso e, depois, descobriu que seu propósito é outro, vá busca-lo. Estude mais, desenvolva novas habilidades, seja o engenheiro que trabalha no Financeiro. Seja a advogada que atua no RH. 
Lembre-se que o mercado quer profissionais com habilidades diversas, com competências bem estabelecidas.   Quer, acima de tudo, pessoas satisfeitas com a carreira que escolheu, que trabalhem com paixão.
Tenho sempre aconselhado que os jovens (e, principalmente, os pais) abandonem a pressa pela escolha da faculdade e comecem com cursos profissionalizantes. Desenvolvam algumas habilidades primeiro. Isso facilitará a escolha do curso universitário, com a qual ele mais se identifica.
Procurem ler e se informar sobre o mercado de trabalho, antes de escolher a faculdade. Isso é muito importante.
Mas, o fundamental é entender que, no mundo atual, a aprendizagem será uma constante e será multidisciplinar. Sendo assim, nenhum curso, nenhum estudo, será perdido.  O curso universitário, atualmente, não é a principal determinante de uma contratação. É só mais um curso no seu currículo.
Acalma teu coração, a maioria das pessoas não sabe o que quer da vida aos 18 anos.

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